Padrão para uso de etanol de cana em navios pode ser aprovado em 2026
A Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) pode aprovar ainda neste ano o padrão de intensidade de carbono do etanol de cana-de-açúcar, o que permitirá que os armadores possam contabilizar o uso do biocombustível em navios em seus processos de descarbonização.
Como o Brasil detém boa parte da oferta de etanol de cana-de-açúcar do mundo, a atribuição da intensidade de carbono deverá sair mais rápida do que do biodiesel de soja, cuja oferta é mais dispersa entre os países, afirmou o coordenador de temas ambientais da comissão coordenadora para os assuntos da Organização Marítima Internacional (CCA-IMO), Flavio Mathuyi, ao Globo Rural, às margens da Conferência NovaCana 2026.
Os navios já podem utilizar combustíveis renováveis caso tenham capacidade para isso. Porém, a contabilização de redução de emissões para atendimento das metas de descarbonização da IMO só pode ocorrer se o órgão reconhecer oficialmente a intensidade de carbono média de cada rota.
Em maio, a IMO reconheceu a intensidade de carbono do etanol de milho de segunda safra em 20,8 gramas de CO2 equivalente por megajoule (MJ) de energia gerada.
Para o reconhecimento da intensidade de carbono de uma rota de produção de biocombustível, a IMO demanda informação de ao menos 80% da oferta daquele biocombustível. Como o etanol de milho de segunda safra é produzido basicamente no Brasil, o reconhecimento da intensidade de carbono do produto junto à IMO foi mais rápida, explicou Mathuyi.
Ele acredita que a IMO também deverá reconhecer em breve a intensidade de carbono do biodiesel de soja, mas prefere não prever uma data.
Segundo o representante brasileiro da IMO, o órgão já aprovou as contas apresentadas pelo Brasil sobre a pegada de carbono do biodiesel de soja do país. Agora, os Estados Unidos e a Argentina apresentam seus dados e aguardam aprovação da IMO, que depois deverá definir uma intensidade de carbono média global para o biodiesel de soja.
Segundo Mathuyi, o Brasil tem atuado na IMO para que o órgão crie uma certificação própria considerando todos os tipos de rota de produção, sem dar preferência a uma ou outra matéria-prima.
A estratégia é combater posições como da Europa, que em suas regulamentações próprias desconsidera o uso de biocombustíveis de primeira geração em suas políticas de descarbonização, por considerar que eles competem com a produção de alimentos.
Camila Souza Ramos
Tags Biocombustíveis marítimos Conferência NovaCana
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Fonte: NovaCana — Notícias



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