Mercado de açúcar mostra sinais de aperto no curto prazo, aponta Hedgepoint
O mercado de açúcar mostra que a commodity continuou a testar novas máximas, mas, ao contrário das últimas semanas, dados do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (MAPA) sugerem que um dos principais argumentos de baixa do mercado está perdendo força, destaca relatório da Hedgepoint Global Markets.
JornalCana apresenta a seguir destaques do relatório:
Produção de açúcar no Centro-Sul
Os resultados da primeira quinzena de agosto para o Centro-Sul brasileiro foram mais fracos do que o esperado, levantando preocupações sobre o potencial de produção da região e desafiando as suposições de disponibilidade abundante de açúcar no curto prazo.
A moagem no Centro-Sul tem apresentado forte volatilidade nesta safra.
O processamento de cana se recuperou acentuadamente, passando de 31,15 milhões de toneladas na segunda quinzena de junho para 50,6 milhões de toneladas na primeira quinzena de julho, antes de recuar para 46,08 milhões de toneladas e, em seguida, se recuperar para 48,4 milhões de toneladas na primeira quinzena de agosto, de acordo com o MAPA.
Essa volatilidade reflete o padrão irregular de chuvas associado ao super El Niño em curso.
Dados do MAPA por quinzena – Centro-Sul:

No mesmo período, o mix de açúcar aumentou de forma constante, passando de 43,1% para 51,2%. Apesar dessa melhora, ela permanece abaixo do nível que seria esperado, dada a atual vantagem de preço do açúcar em relação ao etanol.
Enquanto isso, o ATR subiu de 138,0 kg/t para um pico de 141,0 kg/t antes de se estabilizar em 140,3 kg/t. Embora tenha melhorado, o indicador permanece bem abaixo da média de cinco anos de 149,5 kg/t para o período, em grande parte devido às condições desfavoráveis de colheita, o que contribui para os desafios das usinas em relação à alteração da composição da mistura.
“Os resultados da primeira quinzena de agosto para o Centro-Sul brasileiro foram mais fracos do que o esperado, levantando preocupações sobre o potencial de produção da região e desafiando as suposições de disponibilidade abundante de açúcar no curto prazo”, afirma Lívea Coda, autora do relatório da Hedgepoint.
Avanço do etanol e revisão de projeções
Dados da UNICA reforçam avanço do etanol sobre o açúcar
Antes de discutir as expectativas para a safra, vale a pena abordar o atraso nos relatórios da UNICA. Atualmente, os dados da organização estão dois meses atrasados em relação aos números do MAPA. Enquanto o último relatório disponível da agência é referente à segunda quinzena de junho, o Ministério já divulgou os dados da primeira quinzena de agosto. No entanto, os dados disponíveis traçam um quadro semelhante de uma safra cada vez mais voltada para a produção de etanol, embora não necessariamente por opção.
Até a segunda quinzena de junho, a moagem acumulada de cana atingiu 214,5 milhões de toneladas, segundo a UNICA, um aumento de 3,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar da safra maior, a produção de açúcar caiu 12,4%, para 10,75 milhões de toneladas, enquanto a produção de etanol disparou 20,4%, para 11,37 bilhões de litros. Essa mudança foi impulsionada por um aumento substancial na participação do etanol, que subiu de 49,0% para 57,5%, reduzindo o mix do açúcar de 51,0% para 42,5% ao longo do período. Os dados reforçam a visão de que desafios operacionais e climáticos limitaram a produção de açúcar, mesmo com a disponibilidade de cana permanecendo favorável.
Uma comparação entre os dois bancos de dados referentes a junho confirma tendências amplamente semelhantes, embora algumas diferenças permaneçam.
Fonte: JornalCana




