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BTG Pactual vê preços do açúcar recuando a "patamar de equilíbrio"

BTG Pactual vê preços do açúcar recuando a "patamar de equilíbrio"

As projeções representam uma deterioração significativa em relação às estimativas de agosto. Na ocasião, a Datagro previa um superávit de 548 mil toneladas no quarto trimestre de 2026 e um déficit de 962 mil toneladas no primeiro trimestre de 2027.

O fluxo comercial é um dos principais fatores para a formação dos preços no curto prazo, segundo a análise. Quando a disponibilidade de açúcar para exportação fica abaixo das necessidades de compra dos países importadores, os estoques precisam compensar a diferença, aumentando a disputa pelo produto e favorecendo as cotações.

Chuvas no Brasil pressionam oferta no curto prazo

O cenário pode ficar ainda mais apertado caso as condições climáticas continuem prejudicando a produção brasileira. As fortes chuvas no Centro-Sul têm dificultado as operações de colheita e moagem da cana-de-açúcar, além de reduzir a concentração de açúcar na matéria-prima.

Como o Brasil é o maior exportador mundial de açúcar, eventuais interrupções nas operações das usinas podem restringir ainda mais a disponibilidade do produto no mercado internacional, em um momento de déficits projetados para os próximos trimestres.

O BTG, contudo, avalia que esse aperto será temporário. A expectativa é que o fluxo global de comércio volte a registrar superávit no segundo trimestre de 2027, de 363 mil toneladas, e alcance 2,8 milhões de toneladas no terceiro trimestre do próximo ano, com a entrada da nova safra brasileira.

A recomposição da oferta deve reduzir gradualmente a escassez que sustenta os preços atualmente. Nesse cenário, o banco vê espaço para as cotações recuarem em direção aos US$ 0,17 por libra-peso, nível considerado mais próximo do equilíbrio entre oferta e demanda.

Preços elevados abrem janela para venda de usinas

Além das perspectivas para as cotações, o BTG avalia que o ambiente mais favorável para as commodities pode criar oportunidades de venda de ativos no setor sucroenergético brasileiro.

O preço médio das últimas cinco aquisições no segmento ficou em aproximadamente US$ 54 por tonelada de capacidade de moagem, cerca de 25% abaixo da média histórica de US$ 72 por tonelada.

Os múltiplos mais baixos refletem não apenas períodos de preços menos favoráveis para o açúcar, mas também a concorrência crescente do etanol de milho, que vem pressionando estruturalmente a viabilidade econômica do biocombustível produzido a partir da cana.

O cenário atual, porém, é mais favorável à rentabilidade das usinas no curto prazo. Além da recuperação do açúcar para a faixa de US$ 0,20 a US$ 0,21 por libra-peso, os preços do etanol também avançaram, sustentados pelos baixos estoques na região Centro-Sul.

Apesar da melhora, o BTG ressalta que as perspectivas de longo prazo para o etanol de cana continuam pressionadas pelo crescimento da oferta de etanol de milho. Nesse contexto, a recuperação temporária das commodities pode representar uma oportunidade para empresas monetizarem ativos em condições mais favoráveis.

Adecoagro reorganiza portfólio

A movimentação recente da Adecoagro ilustra essa dinâmica. A companhia concordou em vender a usina Monte Alegre, em Minas Gerais, que tem capacidade de moagem de 1,2 milhão de toneladas de cana por ano. O valor da transação não foi divulgado.

Com base no múltiplo médio de aproximadamente US$ 54 por tonelada de capacidade observado nas aquisições recentes, o BTG estima que o ativo poderia ser avaliado entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões, o equivalente a cerca de 5% do valor de mercado da companhia.

A venda, contudo, não significa necessariamente uma redução da exposição da Adecoagro ao mercado de açúcar e etanol. Poucas semanas antes, a empresa havia concluído a aquisição da usina Caarapó, da Raízen, juntamente com ativos agrícolas associados.

Na avaliação do BTG, as duas operações sugerem uma estratégia de concentração regional em Mato Grosso do Sul, com o objetivo de capturar sinergias operacionais.

O movimento ocorre em um momento de melhora dos preços das commodities, mas também de desafios estruturais para o setor sucroenergético. Para as companhias, a perspectiva de normalização das cotações do açúcar e a concorrência do etanol de milho reforçam a importância da eficiência operacional e da gestão estratégica dos ativos.

Pasquale Augusto

Fonte: NovaCana — Notícias

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